quinta-feira, 20 de março de 2008

Fácil...Difícil


FÁCIL é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
DIFÍCIL é sentir a energia que é transmitida.

FÁCIL é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
DIFÍCIL é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.

FÁCIL é chorar ou sorrir quando der vontade.
DIFÍCIL é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.

FÁCIL é dar um beijo.
DIFÍCIL é entregar a alma, sinceramente, por inteiro.

FÁCIL é querer ser amado.
DIFÍCIL é amar completamente só.

Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois.
Amar é entregar-se...e aprender a dar valor somente a quem te ama.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 19 de março de 2008

terça-feira, 18 de março de 2008

Nicest thing

Quando eu morrer...


Quando eu morrer
não me dêem rosas
mas ventos.


Quero as ânsias do mar
quero beber a espuma branca
duma onda a quebrar
e vogar.


Ah, a rosa dos ventos
a correrem na ponta dos meus dedos
a correrem, a correrem sem parar.


Onda sobre onda infinita como o mar
como o mar inquieto
num jeito
de nunca mais parar.


Por isso eu quero o mar.
Morrer, ficar quieto,
não.
Oh, sentir sempre no peito
o tumulto do mundo
da vida e de mim.


E eu e o mundo.
E a vida. Oh mar,
o meu coração
fica para ti.
Para ter a ilusão
de nunca mais parar.

Alexandre Dáskalos
Poeta angolano

segunda-feira, 17 de março de 2008

Makèsú

Foto recebida por email

- "Kuakié!... Makèzú..."
...............................................
O pregão da avó Ximinha
É mesmo como os seus panos
Já não tem a cor berrante
Que tinha nos outros anos.

Avó Xima está velhinha
Mas de manhã, manhãzinha,
Pede licença ao reumático
E num passo nada prático
Rasga estradinhas na areia...

Lá vai para um cajueiro
Que se levanta altaneiro
No cruzeiro dos caminhos
Das gentes que vão p´ra Baixa.

Nem criados, nem pedreiros
Nem alegres lavadeiras
Dessa nova geração
Das "venidas de alcatrão"
Ouvem o fraco pregão
Da velhinha quitandeira.

- "Kuakié!... Makèzú, Makèzú..."
- "Antão, véia, hoje nada?"
- "Nada, mano Filisberto...
Hoje os tempo tá mudado..."

- "Mas tá passá gente perto...
Como é aqui tá fazendo isso?"

- "Não sabe?! Todo esse povo
Pegô num costume novo
Qui diz qué civrização:
Come só pão com chouriço
Ou toma café com pão...

E diz ainda pru cima
(Hum... mbundu Kene muxima...)
Qui o nosso bom makèzú
É pra véios como tu."

- "Eles não sabe o que diz...
Pru qué Qui vivi filiz
E tem cem ano eu e tu?"

- "É pruquê nossas raiz
Tem força do makèzú!..."

Viriato da Cruz

sexta-feira, 14 de março de 2008

Manuel Amor

Foto:Iguana Africana

Hoje quero
celebrar tua ausência
o teu silêncio.

exaltar a tua solidão
e com ela
partilhar
o doce aroma de pitanga madura
dos teus beijos ausentes.

Como se fosses um sonho,
Um poema sem fundamento
Ou apenas imagem que criei.

quarta-feira, 12 de março de 2008

terça-feira, 11 de março de 2008

segunda-feira, 10 de março de 2008

Mãe-terra


Terra vermelha do Lépi és minha mãe
Mãe-Terra que aos filhos dá
mais do que a vida uma razão

Razão de águia águia
transformada
no soba dos espaços
e das espinheiras cruas.

Terra vermelha do Lépi
calma sombra das mangueiras
sobre o chão vermelho
rocha negra do saber de ferro
a água sabe à voz materna

Águia de pedra
embala onde sentaram
régios Mussindas de vento
em gerações de luar
gritando ao vale profundo
aos muxitos
e ás mulembas velhas
a superfície larga do barro
do corpo negro dos filhos

A terra é sempre a mesma
o resto dirão os homens!

Costa Andrade
(Poeta angolano)

domingo, 9 de março de 2008

Miguel Torga


"Sonha!
Inventa um alfabeto
De ilusões...
Um a-bê-cê secreto
Que soletres à margem das lições...

Voa pela janela
De encontro a qualquer sol que te sorria!
Asas? Não são precisas:
Vais ao colo das brisas,
Aias da fantasia...

in "Instrução primária"
Miguel Torga
Poeta português
(1907/1995)

De baixo para cima

Foto:Iguana Africana

Porque às vezes usamos as palavras certas de forma errada...ou será que apenas queremos esconder o que realmente sentimos?



"Não te amo mais.

Estarei a mentir se disser que

Ainda te quero como sempre quis.

Tenho a certeza que

Nada foi em vão.

Sinto dentro de mim que não significas nada.

Não poderia dizer jamais que

Alimento um grande amor.

Sinto cada vez mais que já te esqueci!

E jamais usarei a frase

Eu amo-te!

Sinto, mas tenho que dizer a verdade

É tarde demais..."

sábado, 8 de março de 2008

Uma rosa

Uma rosa para assinalar esta data, oferecida por um homem muito especial!...

sexta-feira, 7 de março de 2008

Tempo

Foto:Iguana Africana

quinta-feira, 6 de março de 2008

Katie Melua

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Cântico negro


"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

José Régio

quarta-feira, 5 de março de 2008

Letrinhas de cantigas


Estou aqui como se te procurasse
A fingir que não sei aonde estás.
Queria tanto falar-te e se falasse
Dizer as coisas que não sou capaz.
.
Dizer, eu sei lá, que te perdi
Por não saber achar-te à minha beira
E na casa deserta então morri
Com a luz do teu sorriso à cabeceira.
.
Queria tanto falar-te e não consigo
Explicar o que se sofre, o que se sente
E perguntar como ao teu retrato digo
Se queres casar comigo novamente

António Lobo Antunes

terça-feira, 4 de março de 2008

Necessidades


Candengue

Foto:C.Pires

Quando candengue brincava,
Em frente à escola da Liga,
De esconde esconde e caçava
Janjás e rolas com fisga.

Na rua jogava à bola
Feita de meias e trapos,
Não tinha bota de sola
P´ra chutar nas rãs e sapos.

Catava lacrau nas pedras
Ou matrindinde no mato,
Saltava pelas veredas,
Sorvia a sopa do prato.

Fazia carros de lata,
Muita bola de sabão,
E beliscava a mulata
Filha do mestre Tião.

Dava mergulhos no rio,
Meu velho rio cavaco,
Não tinha calor ou frio
Nem pelugem no sovaco.

Tomava banho na selha,
Trincava dendém assado,
Fugia da mana velha
Só p’ra não fazer recado.

Passava o dia a correr
Como bicho na savana,
Lanchava pão e banana
Jantava amor e prazer.

Não tinha TV nem fax,
Retrete, bidé, chuveiro,
Lia à luz de candeeiro,
Dum bendito petromax.

Do escuro não tinha medo,
Nem pesadelo, e sonhava
Ser guerreiro, ter meu feudo,
E com princesas casava.

Inventei histórias mil,
Cresci ao sol e relento,
E ao meu céu azul anil,
Mandei recados pelo vento.

Agora…
Agora doem-me os dedos,
Fazem-me azia, os molhos,
Já me atormentam os medos
E lacrimejam-me os olhos.

Agora…
São os anos e saudades
Que me fazem velho assim…
Não enganam, são verdades,
E as rugas falam por mim!

Abgalvão

segunda-feira, 3 de março de 2008

domingo, 2 de março de 2008

Paisagem

Há pessoas muito especiais na minha vida.
Este post é para uma delas

Fico assim sem você

Porque é que tem que ser assim?

Se o meu desejo não tem fim

Eu te quero a todo instante

Nem mil auto-falantes

Vão poder falar por mim...

Sou eu, assim, sem você...

Tô louca prá te ver chegar

Tô louca prá te ter nas mãos

Deitar no teu abraço

Retomar o pedaço

Que falta no meu coração...

Eu não existo longe de você

E a solidão, é o meu pior castigo

Eu conto as horas prá poder te ver

Mas o relógio tá de mal comigo...

Porque? Porque?

sábado, 1 de março de 2008

Amigos

Foto:Iguana Africana

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Albatroz

Será que ainda vais demorar muito nos teus voos!
Quando virás para terra?
Estou à tua espera!!!!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Viver


É assim que gosto de passar as tardes...junto ao mar, esticadinha ao sol...
Não há nada melhor que viver numa ilha bem isolada, longe de tudo e de todos.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Rosas

Foto:Iguana Africana

Rosas para ti

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Escândalo ao sol

Gonzaga, este é para ti, em homenagem às longas conversas entre uma e outra aula.Como nós sonhávamos com este futuro/presente.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Canção para Joana Maluca


"Canção para Joana Maluca"

Para eles
eras unicamente a suja
a piolhosa
colhendo beatas
á porta do Nacional

E lestos
enquanto o sol brincava
no ombro alcantilado
das encostas
seus rafeiros te lançavam
de dentro dos quintais.

Joana
eles sabiam tua mão
e a temiam
(tua mão espinho-de-piteira
tua mão ngana-acusadora-moesm
ah! kikata kikata muene)
até quando
estendida tua mão
pedia.

Na escudela da noite
entre cassuneiras e muxixis
uma pobre escura flor
adormecia...

João Maria Vilanova

(Angola)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

VIII

Vi as águas, os cabos e as ilhas
E o longo baloiçar dos coqueirais
Vi lagunas azuis como safiras
Rápidas aves furtivos animais
Vi prodígios espantos maravilhas
Vi homens nus bailando nos areais
E ouvi o fundo som das suas falas
Que já nenhum de nós entendeu mais
Vi ferros e vi setas e vi lanças
Oiro também à flor das ondas finas
E o diverso fulgor dos outros metais
Vi pérolas e conchas e corais
Desertos fontes trémulas e campinas
Vi o rosto de Eurydice das neblinas
Vi o frescor das coisas naturais
Só do Preste João não vi sinais
As ordens que levava não cumpri
E assim contando tudo quanto vi
Não sei se tudo errei ou descobri

Sophia de Mello Breyner Andersen

Ana Carolina

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Preciso de alguém


Amar


Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
mais este e aquele, o outro e a toda gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disse que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar.

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que eu saiba me perder... pra me encontrar...

Florbela Espanca
Poetisa portuguesa
(1894/11930)

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Siga sua estrela

Foto:Iguana Africana

Há um lugar especial na vida
que necessita do seu conhecimento
e um determinado serviço
que ninguém mais pode fazer.

Com o tempo você o descobrirá e,
Mesmo que lhe pareça inútil,
não tente mudá-lo nem por um momento,
mesmo que você possa.

Há um lugar especial na vida
onde você atingirá o que é seu,
um sonho que você deve seguir,
porque para trás não é seu caminho.

Existe um ponto de partida
por onde você deverá começar,
por menos importante que possa lhe parecer.

É uma herança de amor
para aqueles que virão depois de você.

Há um lugar especial na vida que só você reconhecerá.
Uma estrada tem o seu nome e espera por você.
Existem mãos que você deve segurar,
uma palavra que você deve dizer,
um sorriso que você deve dar
e lágrimas que só você poderá enxugar.

Há um lugar especial na vida
previsto para ser ocupado por você.
Um campo luminoso onde flores crescem fortes
apesar das tempestades.

Há um especial amanhã e o melhor está para vir.
É certo que seu destino é um livro que você não lê.

Mas pode crer:
nesta vida há um lugar especial feito só para você!

Carlos Drumonnd

sábado, 16 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Tenho saudades


Eu tenho saudades de tudo
que marcou a minha vida...

Quando vejo retratos,
quando sinto cheiros,
Quando escuto uma voz,
quando me lembro do passado.

Eu sinto saudades...

Sinto saudades
de amigos que nunca mais vi,
De pessoas com quem
não mais falei ou cruzei...

Sinto saudades
da minha infância,
Do meu primeiro amor,
Do último,
e daqueles que ainda
vou vir a ter.

Se Deus quiser...

Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
Lembrando do passado
e apostando no futuro...

Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
Provavelmente não será
do jeito que eu penso
que vai ser...

Sinto saudades
de quem me deixou
e de quem eu deixei.

De quem disse que viria
e nem apareceu...

De quem apareceu correndo,
sem tempo de me conhecer direito...
De quem nunca vou ter
a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram
E de quem não me despedi direito...
Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus.

De gente que passou
na calçada contrária
da minha vida
E que só enxerguei de vislumbre...

De coisas que eu tive
e de outras que não tive,
mas quis muito ter...

De coisas que nem sei
como existiram,
mas que se soubesse,
De certo gostaria
de experimentar...

Quantas vezes tenho
vontade de encontrar
não sei o que,
Não sei aonde,
Para resgatar
alguma coisa que
nem sei o que é
E nem onde perdi...

Vejo o mundo girando
e penso que poderia estar
Sentindo saudades em
japonês,
Em russo,
em italiano,
em inglês.

Mas que minha saudade,
Só fala português embora,
lá no fundo possa ser poliglota.

Aliás, dizem que se costuma
usar sempre a língua pátria,
Espontaneamente,
quando estamos
desesperados,
Para contar dinheiro,
fazer amor
e declarar sentimentos
fortes...

Seja lá em que lugar
do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples
"I miss you",
Ou seja lá como possamos
traduzir saudade
Em outra língua,
nunca terá a mesma força
E significado da nossa
palavrinha.

Talvez não exprima
corretamente a imensa
falta que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho
mais saudades...

Porque encontrei
uma palavra para usar
Todas as vezes que sinto
este aperto no peito,
Meio nostálgico
meio gostoso.

Mas que funciona melhor
do que um sinal vital
Quando se quer falar
de vida e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis,
De que amamos muito
do que tivemos e
lamentamos as coisas boas
Que perdemos ao longo
da nossa existência...

Sentir saudade é sinal
de que se está Vivo!

"SKYHAWK"

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

I remember you

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I Remember You
Diana Krall


I remember you

You're the one who made my dreams come true

A few kisses ago

I remember you

You're the one who said I love you, too, I do

Didn't you know?

I remember too a distant bell

And stars that fell like rain out of the blue

When my life is through

And the angels ask me to recall the thrill of them all

Then I shall tell them

I remember you

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Beijo


Como está distante aquele dia, num mês qualquer, num ano qualquer da década de sessenta.
Conseguimos ficar sozinhos naquela sala de aula, que felizmente era pouco utilizada.
Foi aí que senti pela primeira vez o sabor de uns lábios que me faziam sonhar há muito tempo. O sabor que teve não consigo descrevê-lo, pois o nervoso, a ansiedade, o desejo, conseguiram arrebatar-me todos os sentidos.
O que senti?…aí foi mais profundo…Descrevê-lo?…impossível, veio da alma, veio do coração, e estes mistérios geralmente não se conseguem descrever.
Porém, sei que é o mesmo que sinto quando ficamos frente a frente.
Ainda hoje é assim.O que é?
Não sei…

Memória


As Fontes



Um dia quebrarei todas as pontes

Que ligam o meu ser vivo e total,

À agitação do mundo irreal,

E calma subirei até às fontes.


Irei até às fontes onde mora

A plenitude, o límpido esplendor

Que me foi prometido em cada hora,

E na face incompleta do amor.


Irei beber a luz e o amanhecer

Irei beber a voz dessa promessa

Que às vezes como um voo me atravessa,

E nela cumprirei todo o meu ser.


Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Namoro-Viriato da Cruz


Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
e com a letra bonita eu disse ela tinha
um sorrir luminoso tão quente e gaiato
Como o sol de Novembro brincando de artista nas acácias floridas
espalhando diamantes na fímbria do mar
e dando calor ao sumo das mangas.
sua pele macia — era sumaúma...
Sua pele macia, da cor do jambo, cheirando a rosas
sua pele macia guardava as doçuras do corpo rijo
tão rijo e tão doce — como o maboque...
Seus seios, laranjas laranjas do Loge
seus dentes... — marfim...

Mandei-lhe essa carta
e ela disse que não.

Mandei-lhe um cartão
que o amigo Maninho tipografou:
“Por ti sofre o meu coração”
Num canto - SIM, noutro canto - não

E ela o canto do NÃO dobrou.

Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete
pedindo rogando de joelhos no chão
pela Senhora do Cabo, pela santa Ifigénia,
me desse a ventura do seu namoro...

E ela disse que não.

Levei à avó Chica, quimbanda de fama
a areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço forte e seguro
que nela nascesse um amor como o meu...

E o feitiço falhou

Esperei-a de tarde, á porta da fábrica,
ofertei-lhe um colar e um anel e um broche,
paguei-lhe doces na calçada da Missão,
ficámos num banco do largo da Estátua,
afaguei-lhe as mãos...
falei-lhe de amor...e ela disse que não.

Andei barbado , sujo, e descalço.
como um mona-ngamba.
Procuraram por mim
“— Não viu... (ai, não viu...?) Não viu Benjamim?”
E perdido me deram no morro da Samba.

Para me distrair
levaram-me ao baile do sô Januário
mas ela lá estava num canto a rir
contando o meu caso ás moças mais lindas do Bairro Operário

Tocaram uma rumba dancei com ela
e num passo maluco voámos na sala
qual uma estrela riscando o céu !
E a malta gritou : “Ai Benjamim !”
Olhei-a nos olhos — sorriu para mim
pedi-lhe um beijo — e ela disse que sim.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Marisa Monte

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Saudade


"O tempo não pára,
só a saudade
é que faz as coisas pararem no tempo"

Mário Quintana

Liberdade


Aqui nesta praia onde

Não há nenhum vestígio de impureza,

Aqui onde há somente

Ondas tombando ininterruptamente,

Puro espaço e lúcida unidade,

Aqui o tempo apaixonadamente

Encontra a própria liberdade.


Sophia de Mello Breyner Andresen

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Pessoas

Imagem Google

Cada um que passa na nossa vida,
Passa sozinho...
Porque cada pessoa é única para nós,
E nenhuma substitui a outra...

Cada um que passa na nossa vida,
Passa sozinho,mas não vai só...
Cada um que passa na nossa vida,
Leva um pouco de nós mesmo,
E deixa-nos um pouco de si mesmo...

Há os que levam muito,
Mas há os que não levam nada...
Há os que deixam muito,
Mas há os que não deixam nada...

Esta é a mais bela realidade da vida.
A prova tremenda
da importância de cada um,
É que ninguém se aproxima
do outro por acaso...

Antoine de Saint Exupéry

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Primavera

Foto:Iguana Africana

Hoje fui ao encontro das mimosas.
Estão maravilhosas, suaves e principalmente cheirosas.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Para pensar


Imagem Google

A inteligência sem amor faz-te prepotente.
A humildade sem amor faz-te hipócrita.
A pobreza sem amor faz-te orgulhoso.
A justiça sem amor faz-te implacável.
A autoridade sem amor faz-te tirano.
O trabalho sem amor faz-te escravo.
A docilidade sem amor faz-te servil.
O êxito sem amor faz-te arrogante.
A política sem amor faz-te egoísta.
A riqueza sem amor faz-te avaro.
A oração sem amor faz-te falso.
A lei sem amor faz-te perverso.
A beleza sem amor faz-te fútil.
A fé sem amor faz-te fanático.
A vida sem amor, não tem sentido…

Velha Chica-Waldemar Bastos

Participação da cantora Dulce Pontes

Antigamente a velha Chica

vendia cola e gengibre

e lá pela tarde ela lavava a roupa

do patrão importante;

e nós os miúdos lá da escola

perguntávamos à vóvó Chica

qual era a razão daquela pobreza,

daquele nosso sofrimento.

Xé menino, não fala política,

não fala política, não fala política.

Mas a velha Chica embrulhada nos pensamentos,

ela sabia, mas não dizia a razão daquele sofrimento.

Xé menino, não fala política,

não fala política, não fala política.

E o tempo passou e a velha Chica, só mais velha ficou.

Ela somente fez uma kubata com teto de zinco, com teto de zinco.

Xé menino, não fala política, não fala política.

Mas quem vê agora

o rosto daquela senhora,

daquela senhora,só vê as rugas do sofrimento,

do sofrimento, do sofrimento!E ela agora só diz:

"- Xé menino, quando eu morrer, quero ver Angola viver em paz!

Xé menino, quando morrer, quero ver Angola e o Mundo em paz!"


Waldemar Bastos

N.B:Quem consegue ficar indiferente a ouvir

estas palavras e principalmente o som do

quissange!!!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Para pensar


Para pintar o retrato de um pássaro


Primeiro pinte uma gaiola com a porta aberta
Depois pinte
algo gracioso,
algo simples,
algo bonito
algo útil
para o pássaro.
Então encoste a tela a uma árvore
num jardim
num bosque
ou numa floresta.
Esconda-se atrás da árvore
sem falar
sem se mover...
Às vezes o pássaro aparece logo
mas ele pode demorar muitos anos
antes de se decidir.
Não desanime.
Espere.
Espere durante anos se necessário.
A rapidez ou a lentidão do pássaro
não influi no bom resultado do quadro.
Quando o pássaro aparecer
se ele aparecer
observe no mais profundo silêncio
até o pássaro entrar na gaiola.
E quando ele entrar
delicadamente feche a porta com o pincel.
Então
apague uma a uma todas as grades
tomando cuidado para não tocar
na plumagem do pássaro.
Em seguida pinte a árvore
escolhendo o mais bonito dos seus galhos
para o pássaro.
Pinte também a folhagem verdee o frescor do vento
o dourado do sol
e a algazarra das criaturas na relva
sob o calor do verão.
E então espere até que o pássaro decida cantar.
Se o pássaro não cantar
é um mau sinal,um sinal de que a pintura está ruim.
Mas se ele cantar é um bom sinal,
um sinal de que você pode assinar.
Então, com muita delicadeza,
você arranca uma das penas do pássaro
e escreve o seu nome num canto do quadro.

Jacques Prévert
(poeta francês, 1900-1977)
N.B:Tradução de Silviano Santiago

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Come away with me-Norah Jones

Come away with me in the night

Come away with me

And I will write you a song

Come away with me on a bus

Come away where they can't tempt us

With their lies

And I wanna walk with you

On a cloudy day

In fields where the yellow grass grows

knee-high

So won't you try to come

Come away with me and we'll kiss

On a mountain top

Come away with me

And I'll never stop loving you

And I wanna wake up with the rain

Falling on a tin roof

While I'm safe there in your arms

So all I ask is for you

To come away with me in the night

Come away with me

É urgente permanecer


Foto:Iguana Africana

É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
Ódio, solidão e crueldade
Alguns lamentos,
Muitas espadas.
É urgente inventar a alegria,
Multiplicar os beijos, as searas,
É urgente descobrir rosas e rios
E manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros
E a luz impera até doer.
É urgente o Amor,
É urgente permanecer.

Eugénio de Andrade

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Sonhos


Naquele tempo


"mesmo essas conversas, então,eu julgava era pecado.Quando Rosa começava a me contar essas cuêsas, eu pensava Deus estava, também, a ouvir e ia se zangar.
Se não era isso, eu que tinha aceitado namorar mesmo aquele Firmino que Rosa me apresentou no caminho de casa.
Mas afinal, foi medo que eu tive: ainda não sabia namorar...Nesses tempos eu pensava, era preciso aprender a nomorar, como a tabuada.
Agora quando me lembro, até me rio de mim mesma.
Aprender aonde?..."

"Baixa e Muceques"
António Cardoso

The closest thing to crazy-Katie Melua

How can I think I'm standing strong,

Yet feel the air beneath my feet?

How can happiness feel so wrong?

How can misery feel so sweet?

How can you let me watch you sleep,

Then break my dreams the way you do

How can I have got in so deep?

Why did I fall in love with you?

This is the closest thing to crazy I have ever been

Feeling twenty-two, acting seventeen,

This is the nearest thing to crazy I have ever known,

I was never crazy on my own...

And now I know that there's a link between the two,

Being close to craziness and being close to you.

How can you make me fall apart

Then break my fall with loving lies?

It's so easy to break a heart;

It's so easy to close your eyes.

How can you treat me like a child

Yet like a child I yearn from you?

How can anyone feel so wild?

How can anyone feel so blue?

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Viver


Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas
quando nunca pensei me decepcionar,
mas também decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
“quebrei a cara muitas vezes”!


Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial
(e acabei perdendo).


Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!
Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é “muito” pra ser insignificante.

(Charles Chaplin)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Pensamento




Lição sobre a água


Este líquido é água.

Quando pura

é inodora, insípida e incolor.

Reduzida a vapor,

sob tensão e alta temperatura,

move os êmbolos das máquínas que, por isso,

se denominam máquinas a vapor.

É um bom dissolvente.

Embora com excepções mas de um modo geral,

dissolve tudo bem, ácidos, bases e sais.

Congela a zero graus centesimais

e ferve a 100, quando à pressão normal.

Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão,

sob um luar gomoso e branco de camélia,

apareceu a boiar o cadáver de Ofélia

com um nenúfar na mão.


António Gedeão