
quinta-feira, 20 de março de 2008
Fácil...Difícil

quarta-feira, 19 de março de 2008
terça-feira, 18 de março de 2008
Quando eu morrer...

Alexandre Dáskalos
segunda-feira, 17 de março de 2008
Makèsú
...............................................
O pregão da avó Ximinha
É mesmo como os seus panos
Já não tem a cor berrante
Que tinha nos outros anos.
Avó Xima está velhinha
Mas de manhã, manhãzinha,
Pede licença ao reumático
E num passo nada prático
Rasga estradinhas na areia...
Lá vai para um cajueiro
Que se levanta altaneiro
No cruzeiro dos caminhos
Das gentes que vão p´ra Baixa.
Nem criados, nem pedreiros
Nem alegres lavadeiras
Dessa nova geração
Das "venidas de alcatrão"
Ouvem o fraco pregão
Da velhinha quitandeira.
- "Kuakié!... Makèzú, Makèzú..."
- "Antão, véia, hoje nada?"
- "Nada, mano Filisberto...
Hoje os tempo tá mudado..."
- "Mas tá passá gente perto...
Como é aqui tá fazendo isso?"
- "Não sabe?! Todo esse povo
Pegô num costume novo
Qui diz qué civrização:
Come só pão com chouriço
Ou toma café com pão...
E diz ainda pru cima
(Hum... mbundu Kene muxima...)
Qui o nosso bom makèzú
É pra véios como tu."
- "Eles não sabe o que diz...
Pru qué Qui vivi filiz
E tem cem ano eu e tu?"
- "É pruquê nossas raiz
Tem força do makèzú!..."
Viriato da Cruz
sábado, 15 de março de 2008
sexta-feira, 14 de março de 2008
Manuel Amor
exaltar a tua solidão
Como se fosses um sonho,
quarta-feira, 12 de março de 2008
terça-feira, 11 de março de 2008
segunda-feira, 10 de março de 2008
Mãe-terra

Terra vermelha do Lépi és minha mãe
domingo, 9 de março de 2008
Miguel Torga
De baixo para cima
Porque às vezes usamos as palavras certas de forma errada...ou será que apenas queremos esconder o que realmente sentimos?
"Não te amo mais.
Estarei a mentir se disser que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho a certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que não significas nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu amo-te!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais..."
sábado, 8 de março de 2008
sexta-feira, 7 de março de 2008
quinta-feira, 6 de março de 2008
Cântico negro

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
José Régio
quarta-feira, 5 de março de 2008
Letrinhas de cantigas

A fingir que não sei aonde estás.
Queria tanto falar-te e se falasse
Dizer as coisas que não sou capaz.
.
Dizer, eu sei lá, que te perdi
Por não saber achar-te à minha beira
E na casa deserta então morri
Com a luz do teu sorriso à cabeceira.
.
Queria tanto falar-te e não consigo
Explicar o que se sofre, o que se sente
E perguntar como ao teu retrato digo
Se queres casar comigo novamente
António Lobo Antunes
terça-feira, 4 de março de 2008
Candengue
Quando candengue brincava,
Em frente à escola da Liga,
De esconde esconde e caçava
Janjás e rolas com fisga.
Na rua jogava à bola
Feita de meias e trapos,
Não tinha bota de sola
P´ra chutar nas rãs e sapos.
Catava lacrau nas pedras
Ou matrindinde no mato,
Saltava pelas veredas,
Sorvia a sopa do prato.
Fazia carros de lata,
Muita bola de sabão,
E beliscava a mulata
Filha do mestre Tião.
Dava mergulhos no rio,
Meu velho rio cavaco,
Não tinha calor ou frio
Nem pelugem no sovaco.
Tomava banho na selha,
Trincava dendém assado,
Fugia da mana velha
Só p’ra não fazer recado.
Passava o dia a correr
Como bicho na savana,
Lanchava pão e banana
Jantava amor e prazer.
Não tinha TV nem fax,
Retrete, bidé, chuveiro,
Lia à luz de candeeiro,
Dum bendito petromax.
Do escuro não tinha medo,
Nem pesadelo, e sonhava
Ser guerreiro, ter meu feudo,
E com princesas casava.
Inventei histórias mil,
Cresci ao sol e relento,
E ao meu céu azul anil,
Mandei recados pelo vento.
Agora…
Agora doem-me os dedos,
Fazem-me azia, os molhos,
Já me atormentam os medos
E lacrimejam-me os olhos.
Agora…
São os anos e saudades
Que me fazem velho assim…
Não enganam, são verdades,
E as rugas falam por mim!
Abgalvão
segunda-feira, 3 de março de 2008
domingo, 2 de março de 2008
Fico assim sem você
Porque é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil auto-falantes
Vão poder falar por mim...
Sou eu, assim, sem você...
Tô louca prá te ver chegar
Tô louca prá te ter nas mãos
Deitar no teu abraço
Retomar o pedaço
Que falta no meu coração...
Eu não existo longe de você
E a solidão, é o meu pior castigo
Eu conto as horas prá poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo...
Porque? Porque?
sábado, 1 de março de 2008
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Viver
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Escândalo ao sol
Gonzaga, este é para ti, em homenagem às longas conversas entre uma e outra aula.Como nós sonhávamos com este futuro/presente.
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Canção para Joana Maluca

Para eles
eras unicamente a suja
a piolhosa
colhendo beatas
á porta do Nacional
E lestos
enquanto o sol brincava
no ombro alcantilado
das encostas
seus rafeiros te lançavam
de dentro dos quintais.
Joana
eles sabiam tua mão
e a temiam
(tua mão espinho-de-piteira
tua mão ngana-acusadora-moesm
ah! kikata kikata muene)
até quando
estendida tua mão
pedia.
Na escudela da noite
entre cassuneiras e muxixis
uma pobre escura flor
adormecia...
João Maria Vilanova
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
VIII
Vi as águas, os cabos e as ilhasAs ordens que levava não cumpri
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Amar

Florbela Espanca
Poetisa portuguesa
(1894/11930)
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Siga sua estrela
Foto:Iguana AfricanaCarlos Drumonnd
sábado, 16 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Tenho saudades

que marcou a minha vida...
Quando vejo retratos,
quando sinto cheiros,
Quando escuto uma voz,
quando me lembro do passado.
Eu sinto saudades...
Sinto saudades
de amigos que nunca mais vi,
De pessoas com quem
não mais falei ou cruzei...
Sinto saudades
da minha infância,
Do meu primeiro amor,
Do último,
e daqueles que ainda
vou vir a ter.
Se Deus quiser...
Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
Lembrando do passado
e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
Provavelmente não será
do jeito que eu penso
que vai ser...
Sinto saudades
de quem me deixou
e de quem eu deixei.
De quem disse que viria
e nem apareceu...
De quem apareceu correndo,
sem tempo de me conhecer direito...
De quem nunca vou ter
a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram
E de quem não me despedi direito...
Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus.
De gente que passou
na calçada contrária
da minha vida
E que só enxerguei de vislumbre...
De coisas que eu tive
e de outras que não tive,
mas quis muito ter...
De coisas que nem sei
como existiram,
mas que se soubesse,
De certo gostaria
de experimentar...
Quantas vezes tenho
vontade de encontrar
não sei o que,
Não sei aonde,
Para resgatar
alguma coisa que
nem sei o que é
E nem onde perdi...
Vejo o mundo girando
e penso que poderia estar
Sentindo saudades em
japonês,
Em russo,
em italiano,
em inglês.
Mas que minha saudade,
Só fala português embora,
lá no fundo possa ser poliglota.
Aliás, dizem que se costuma
usar sempre a língua pátria,
Espontaneamente,
quando estamos
desesperados,
Para contar dinheiro,
fazer amor
e declarar sentimentos
fortes...
Seja lá em que lugar
do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples
"I miss you",
Ou seja lá como possamos
traduzir saudade
Em outra língua,
nunca terá a mesma força
E significado da nossa
palavrinha.
Talvez não exprima
corretamente a imensa
falta que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.
E é por isso que eu tenho
mais saudades...
Porque encontrei
uma palavra para usar
Todas as vezes que sinto
este aperto no peito,
Meio nostálgico
meio gostoso.
Mas que funciona melhor
do que um sinal vital
Quando se quer falar
de vida e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis,
De que amamos muito
do que tivemos e
lamentamos as coisas boas
Que perdemos ao longo
da nossa existência...
Sentir saudade é sinal
de que se está Vivo!
"SKYHAWK"
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
I remember you
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I Remember You
Diana Krall
I remember you
You're the one who made my dreams come true
A few kisses ago
I remember you
You're the one who said I love you, too, I do
Didn't you know?
I remember too a distant bell
And stars that fell like rain out of the blue
When my life is through
And the angels ask me to recall the thrill of them all
Then I shall tell them
I remember you
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Beijo

Foi aí que senti pela primeira vez o sabor de uns lábios que me faziam sonhar há muito tempo. O sabor que teve não consigo descrevê-lo, pois o nervoso, a ansiedade, o desejo, conseguiram arrebatar-me todos os sentidos.
O que senti?…aí foi mais profundo…Descrevê-lo?…impossível, veio da alma, veio do coração, e estes mistérios geralmente não se conseguem descrever.
Porém, sei que é o mesmo que sinto quando ficamos frente a frente.
As Fontes

Um dia quebrarei todas as pontes
Que ligam o meu ser vivo e total,
À agitação do mundo irreal,
E calma subirei até às fontes.
Irei até às fontes onde mora
A plenitude, o límpido esplendor
Que me foi prometido em cada hora,
E na face incompleta do amor.
Irei beber a luz e o amanhecer
Irei beber a voz dessa promessa
Que às vezes como um voo me atravessa,
E nela cumprirei todo o meu ser.
Sophia de Mello Breyner Andresen
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Namoro-Viriato da Cruz

Mandei-lhe essa carta
Mandei-lhe um cartão
E ela o canto do NÃO dobrou.
Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete
Levei à avó Chica, quimbanda de fama
Esperei-a de tarde, á porta da fábrica,
Para me distrair
Tocaram uma rumba dancei com ela
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
domingo, 10 de fevereiro de 2008
Liberdade

sábado, 9 de fevereiro de 2008
Pessoas
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Para pensar

A humildade sem amor faz-te hipócrita.
A pobreza sem amor faz-te orgulhoso.
A justiça sem amor faz-te implacável.
A autoridade sem amor faz-te tirano.
O trabalho sem amor faz-te escravo.
A docilidade sem amor faz-te servil.
O êxito sem amor faz-te arrogante.
A política sem amor faz-te egoísta.
A riqueza sem amor faz-te avaro.
A oração sem amor faz-te falso.
A lei sem amor faz-te perverso.
A beleza sem amor faz-te fútil.
A fé sem amor faz-te fanático.
A vida sem amor, não tem sentido…
Velha Chica-Waldemar Bastos
Participação da cantora Dulce Pontes
Antigamente a velha Chica
vendia cola e gengibre
e lá pela tarde ela lavava a roupa
do patrão importante;
e nós os miúdos lá da escola
perguntávamos à vóvó Chica
qual era a razão daquela pobreza,
daquele nosso sofrimento.
Xé menino, não fala política,
não fala política, não fala política.
Mas a velha Chica embrulhada nos pensamentos,
ela sabia, mas não dizia a razão daquele sofrimento.
Xé menino, não fala política,
não fala política, não fala política.
E o tempo passou e a velha Chica, só mais velha ficou.
Ela somente fez uma kubata com teto de zinco, com teto de zinco.
Xé menino, não fala política, não fala política.
Mas quem vê agora
o rosto daquela senhora,
daquela senhora,só vê as rugas do sofrimento,
do sofrimento, do sofrimento!E ela agora só diz:
"- Xé menino, quando eu morrer, quero ver Angola viver em paz!
Xé menino, quando morrer, quero ver Angola e o Mundo em paz!"
Waldemar Bastos
N.B:Quem consegue ficar indiferente a ouvir
estas palavras e principalmente o som do
quissange!!!
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Para pintar o retrato de um pássaro

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Come away with me-Norah Jones
Come away with me in the night
Come away with me
And I will write you a song
Come away with me on a bus
Come away where they can't tempt us
With their lies
And I wanna walk with you
On a cloudy day
In fields where the yellow grass grows
knee-high
So won't you try to come
Come away with me and we'll kiss
On a mountain top
Come away with me
And I'll never stop loving you
And I wanna wake up with the rain
Falling on a tin roof
While I'm safe there in your arms
So all I ask is for you
To come away with me in the night
Come away with me
É urgente permanecer

É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
Ódio, solidão e crueldade
Alguns lamentos,
Muitas espadas.
É urgente inventar a alegria,
Multiplicar os beijos, as searas,
É urgente descobrir rosas e rios
E manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros
E a luz impera até doer.
É urgente o Amor,
É urgente permanecer.
Eugénio de Andrade
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Naquele tempo

The closest thing to crazy-Katie Melua
How can I think I'm standing strong,
Yet feel the air beneath my feet?
How can happiness feel so wrong?
How can misery feel so sweet?
How can you let me watch you sleep,
Then break my dreams the way you do
How can I have got in so deep?
Why did I fall in love with you?
This is the closest thing to crazy I have ever been
Feeling twenty-two, acting seventeen,
This is the nearest thing to crazy I have ever known,
I was never crazy on my own...
And now I know that there's a link between the two,
Being close to craziness and being close to you.
How can you make me fall apart
Then break my fall with loving lies?
It's so easy to break a heart;
It's so easy to close your eyes.
How can you treat me like a child
Yet like a child I yearn from you?
How can anyone feel so wild?
How can anyone feel so blue?
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Viver

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Lição sobre a água




























