quinta-feira, 31 de julho de 2008

O chapeuzinho


A menina comprou um chapéu
E pô-lo devagarinho:
Nele nasceram papoilas,
Dois pássaros fizeram ninho.

Chapéu de palha de trigo
Que a foice um dia cortou:
Na cabeça da menina,
O trigo ressuscitou.

Depois tirou o chapéu,
Tirou-o devagarinho:
Não vão murchar as papoilas,
Não se vá espantar o ninho.

E, chapéuzinho na mão,
De cabeça levantada,
A menina olhou o sol,
Como a dizer-lhe:Obrigada!

Matilde Rosa Araújo

Dance me to the end of love

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A minha casa

A minha casa é concha.Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fachada de marés, a sonho e lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.

Minha casa sou eu e os meus caprichos
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.

E telhados de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta ao vento, as salas frias.

A minha casa... Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.

Vitorino Nemésio

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Amar

Madrigal



Tu já tinhas um nome, e eu
não sei se eras fonte ou brisa
ou mar ou flor.

Nos meus versos chamar-te-ei
amor...


Eugénio de Andrade

Ofereço uma rosa

A quem me deu perfume,
A quem me deu sentido,
A quem só me fez bem
Aqueles que sorriram comigo,
Aqueles que comigo partilharam lágrimas,
Aqueles que souberam de minha existência.
Aos nobres do sentir,
Aos ricos do viver
Aos imperadores do amor...

terça-feira, 29 de julho de 2008

Que feras tu de ta vie

Tudo vale a pena

O meu olhar

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Alberto Caeiro

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Dentro da noite penso em ti

Volta e meia
sigo rumo à ilha do amor
coisas antigas que ficaram
nau perdida no porto abandonado
barco sem vela
que persiste no desenho
formado pelas águas dos rios.

Volta e meia
o fluxo de imagens paira sobre as águas
e sigo devorando
a cauda dos sonhos
retornando ao chão descontínuo
da ilusória estrada do bem querer:
uma outra história.

Volta e meia
o amor perturba o sono descontente
das estrelas
e o luar embaraçado
por tantos murmúrios
arma a provisória tenda da paixão:
o meu olhar de neblina
costurado na memória
tece a infância medieval
do teu corpo.

Leontino Filho

Amigo

É você, que me faz sorrir
quando me vê chorar.
Amigo é você que me agasalha
para não me deixar frio passar.
Amigo é você que me oferece flôres
quando espinhos me vê colher.
Amigo é você que se desdobra
para fazer-me companhia,
só para não me ver sozinha.
Amigo é você, que me acompanha
até a última morada,
mas não chora, pois a mim prometeu
que haveria sempre de sorrir,
para que eu não o visse chorar.
Amigo é você,
que me diz até breve
e nunca... adeus...

(Desconheço o autor )

Tarefas tão agradáveis de fazer!!!!!

Rosa

O brilho dos amigos


Amigos são jóias preciosas

que emitem um brilho incomparável.

Temos que ter imenso cuidado para não as riscarmos,

pois perdem o seu valor.

Devemos tentar mantê-los sempre

com o seu brilho original

guardados num cofre que é o nosso coração;

aí estão livres de todas as intempéries, resguardados.

Para quem aí os guarda,

pode ter a certeza

que manterão todas as qualidades originais.

Sentido da vida


Não sei ...
se a vida é curta ou longa
mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que acaricia,
amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
mas que seja intensa,
verdadeira,
e pura ...
enquanto durar ...

(Não sei quem é o autor)

domingo, 27 de julho de 2008

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Vida...


as coisas vulgares que há na vida
não deixam saudade
só as lembranças que doem
ou fazem sorrir
há gente que fica na história
na história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir
são emoções que dão vida
à saudade que trago
aquelas que tive contigo
e acabei por perder
há dias que marcam a alma
e a vida da gente
(...)
Jorge Fernando

Chove...

Chove…
Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?
Chove...

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.
José Gomes Ferreira