quarta-feira, 30 de setembro de 2009

...poder sobre si...



"As pessoas não mudam porque alguém lhes diz para mudar. As pessoas podem alterar temporariamente o seu comportamento porque lhes foi dito para o fazer por alguém que tem poder sobre si, mas isto não é mudança real."

Neale Donald Walsch

domingo, 27 de setembro de 2009

Ausência


Quero dizer-te uma coisa simples: a tua
ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não
magoa, que se limita à alma; mas que não deixa,
por isso, de deixar alguns sinais - um peso
nos olhos, no lugar da tua imagem, e
um vazio nas mãos, como se as tuas mãos lhes
tivessem roubado o tacto.

Nuno Júdice

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Amor verdadeiro


“Uma alma gêmea é alguém cujas fechaduras coincidem com as nossas chaves e cujas chaves coincidem com as nossas fechaduras. Quando nos sentimos seguros a ponto de abrir as fechaduras, surge o nosso eu mais verdadeiro e podemos ser, completa e honradamente, quem somos. Cada um descobre a melhor parte do outro”.

Richard Bach

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Os sinais do meu caminho



Venho de longe e vou para longe:
mas procurei pelo chão os sinais do meu caminho
e não vi nada, porque as ervas cresceram e as serpentes
andaram.
Cecília Meireles

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Um pequeno gesto


"O gesto mais pequeno - um sorriso, um olhar gentil, um toque no braço, uma palavra suave – pode mudar a vida de uma pessoa."

Neal Donald Walsh

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Salvar-se a si mesmo...




O poema é uma garrafa de náufrago jogada ao mar.

Quem a encontra
Salva-se a si mesmo...


Mário Quintana

terça-feira, 8 de setembro de 2009

noite de verão no teu peito




Vê como o verão

subitamente se faz água no teu peito,

e a noite se faz barco,

e minha mão marinheiro.



Eugénio de Andrade

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Fica, para sempre


Porque curiosamente, onde menos te encontro é onde tu exististe. Desprendeste-te donde estiveste e é em mim que mais me acontece tu estares. Mas nem sempre. Quantos dias se passam sem tu apareceres. E às vezes penso é bom que assim seja para eu aprender a estar só. Mas de outras vezes tu rompes-me pela vida dentro e eu quase sufoco da tua presença. Ouço-te dizer o meu nome e eu corro ao teu encontro e digo-te vai-te, vai-te embora. Por favor. E eu sinto-me logo tão infeliz. E digo-te não vás. Fica. Para sempre.


Vergílio Ferreira

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

...sonho impossível da alma.

Tela de Imán Maleki
"A alma é uma colecção de belos quadros adormecidos, os seus rostos envolvidos pela sombra. Sua beleza é triste e nostálgica porque, sendo moradores da alma, sonhos, eles não existem do lado de fora. Vez por outra, entretanto, defrontamo-nos com um rosto (ou será apenas uma voz, ou uma maneira de olhar, ou um jeito da mão...) que, sem razões, faz a bela cena acordar. E somos possuídos pela certeza de que este rosto que os olhos contemplam é o mesmo que, no quadro, está escondido pela sombra. O corpo estremece. Está apaixonado.
Acontece, entretanto, que não existe coisa alguma que seja do tamanho do nosso amor. A nossa fome de beleza é grande demais.(...) Cedo ou tarde descobrirá que o rosto não é aquele. E a bela cena retornará à sua condição de sonho impossível da alma. E só restará a ela alimentar-se da nostalgia que rosto algum poderá satisfazer..."


Rubem Alves

quarta-feira, 5 de agosto de 2009


"É apenas com o coração que se pode ver direito;
o essencial é invisível aos olhos."

Antoine de Saint Exupéry

terça-feira, 4 de agosto de 2009

sexta-feira, 31 de julho de 2009

...todas as noites são de sonhos.


Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem garanta que nem todas,
só as de verão.
No fundo isso não tem importância.
O que interessa mesmo
não são as noites em si,
são os sonhos.
Sonhos que o homem sonha sempre.
Em todos os lugares,
em todas as épocas do ano,
dormindo ou acordado.

O valor do tempo


quinta-feira, 30 de julho de 2009

Rosa com espinho


Abro a rosa com pétalas viradas para dentro
de mim, sugando-me o ser com os seus lábios
de veludo. E quando estou dentro da rosa, ouvindo
a música que corre ao longo do caule, num êxtase
de seiva, troco em versos o que a rosa me diz,
sentindo que a rosa se fecha, em botão, para
que o meu ser não saia de dentro dela. Então,
sei que habito o próprio centro do efémero,
enquanto as pétalas vão caindo, uma a uma,
à medida que a rosa se abre, e o sol que entra
para dentro da rosa, empurrando o meu ser
para fora do centro, corre nas suas veias,
como seiva de fogo, até fazer com que outros
botões nasçam, para que me suguem o ser, até
entre mim e a rosa não haver senão a frágil
fronteira de um espinho, em que me pico,
sentindo que a gota de sangue do meu dedo
podia ser a seiva em que a rosa nasce do ser
que a deseja, no instante efémero do amor.

Nuno Júdice

quarta-feira, 29 de julho de 2009

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....
Na solidão
Do teu olhar
No teu olhar
Se perde o meu
Também o mar
Se perde no céu
....

terça-feira, 28 de julho de 2009

Sentirei a voz molhada...


Verei a cidade morta
Ir ficando para trás
E em frente se abrirem campos
Em flores e pirilampos
Como a miragem de tantos
Que tremeluzem no alto.
Num ponto qualquer da treva
Um vento me envolverá
Sentirei a voz molhada
Da noite que vem do mar
Chegar-me-ão falas tristes
Como a querer me entristar
Mas não serei mais lembrança
Nada me surpreenderá.

Vinicius de Moraes

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Verde que te quero verde


Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco vai sobre o mar
e o cavalo na montanha.
Com a sombra pela cintura
ela sonha na varanda,
verde carne, tranças verdes,
com olhos de fria prata.
Verde que te quero verde.
Por sob a lua gitana,
as coisas estão mirando-a
e ela não pode mirá-las.

(...)

Frederico Garcia Lorca

Onde a pedra é flor,


Na orla do mar,
no rumor do vento,
onde esteve a linha
pura do teu rosto
ou só pensamento
(e mora, secreto,
intenso, solar,
todo o meu desejo)
aí vou colher
a rosa e a palma.
Onde a pedra é flor,
onde o corpo é alma.

Eugénio de Andrade

domingo, 26 de julho de 2009

...oportunidades


Quando nos calamos, nem sempre quer dizer
que concordamos com o que ouvimos ou lemos,
mas estamos dando a outrem a chance de pensar,
reflectir, saber o que falou ou escreveu!!!

Carlos Drummond de Andrade

sábado, 25 de julho de 2009

...Deve haver um lugar


....Deve haver um lugar onde um braço
....e outro braço sejam mais que dois braços,
....um ardor de folhas mordidas pela chuva,
....a manhã perto nem que seja de rastos.

Eugénio de Andrade